Movimentos que curam

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Durante a vida, recebemos diversos estímulos do ambiente, muitos deles são reconhecidos pelo nosso organismo como agressões e, por isso, geram respostas adaptativas, que nada mais são do que o processo de cura.

Exemplo disso pode ser uma entorse de tornozelo, que gera um processo de cicatrização e, na maior parte dos casos, não gera sequelas. Mas esta situação pode complicar! Quando esta entorse de tornozelo ocorre com uma pessoa que já tenha algum desequilíbrio postural que não está bem adaptado, pode gerar uma instabilidade articular mais grave, o que pode dificultar o processo natural de cura pela sobrecarga de tendões, músculos e articulações desta perna, podendo repercutir em problemas para o tornozelo e, em alguns casos, para o joelho, quadril e coluna.

Por outro lado, existem casos de pessoas que desenvolveram artrose em uma articulação e nunca sentiram dores. Neste caso, o corpo soube lidar com o desgaste criando adaptações de boa qualidade.

Ou seja, temos dois tipos de adaptações: as boas, que geram compensações por outras partes do corpo, diminuindo a sobrecarga da articulação que está comprometida, não repercutindo em sintomas de dores e outros desgastes; e as más adaptações, nas quais o corpo ainda está tentando gerar compensações, mas não consegue, provavelmente por um histórico de outras lesões ou alterações posturais importantes.

Uma avaliação de cada caso é importante para entendermos quais são estes processos que geram resistência às boas adaptações que seriam naturais em um corpo com bom equilíbrio postural. É preciso analisar a qualidade dos movimentos realizados nas principais atividades que geram os sintomas para que seja detectado qual o bloqueio ou qual a má compensação.

Além disso, passar por um processo de reaprendizado motor, ou seja, reaprender a se movimentar com qualidade, pode ser mais eficiente do que fazer musculação, Pilates ou hidroterapia.

Fortalecer o corpo para alcançar a cura de problemas ortopédicos pode não ser uma solução eficiente, pois fortalecer um corpo desequilibrado pode reforçar o erro. É só pensarmos que, quando temos um prédio com rachaduras, não podemos colocar mais carga na estrutura, pois a consequência pode ser o desabamento de toda a estrutura.

Por outro lado, a simples correção do movimento e a automatização de um movimento com maior vantagem biomecânica gera um ciclo virtuoso, que tende naturalmente a restabelecer o corpo, deixando-o em equilíbrio, com articulações, tendões e músculos mais saudáveis.

Encaramos a fisioterapia hoje como um processo de aprendizado, no qual estimular movimentos e atitudes que se tornem hábitos e que sejam capazes de levar os pacientes a uma cura definitiva é imprescindível, evitando assim processos de recidiva de lesões e dores.

Cláudio Cotter

Cláudio Cotter

Graduação em Fisioterapia pela Universidade Cidade de São Paulo (CREFITO 30874-F). Especialista em RPG. Formação no Método Busquet; Formação no Método Força Dinâmica; Pós-Graduado em Medicina Psicossomática; Especialista em Postura; Diretor da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática; Colunista do Portal Ativo; Ex-Fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol (CBF). Já participou de dezenas de provas e maratonas de corrida.

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Comentários 1

  1. Avatar ANDREA MOTTOLA says:

    Excelente artigo. Muito útil para todos

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